segunda-feira, 22 de março de 2010




Ela estava lá, somente de calcinha, olhando displiscentemente a janela, fumando um cigarro preguiçosamante, por que sabia que só quem poderia olhar ela, seria aquele mar azul, como o céu, calmo como ela própria.
Era já final de tarde, e o sol, já se mostrava cansado, querendo ir se deitar, e a lua, espevitava, já dava as caras, devagar, sorrateiramente, para tomar conta da noite, a noite toda!
Ele, deitado, apenas coberto pelo fino lençol branco, a olhava espantado.
Afinal - disse ela se virando a ele, em três quartos, aparecendo um ventre esbelto, mostrando apenas o perfil de seus seios pequenos e redondos, com os cabelos quase negros de brilho castanho, escorregando pelas costas, um perfil perfeito, os olhos, o mirando, dando um sorriso de soslaio - Por que tanto espanto, somos amigos apenas, foi bom, mas é só. O que queria? - Disse agora se virando toda de frente, mostrando seu olhar, agora por completo. - Paixão? Amor? - e sorriu gostosamente, como se tivesse ouvido uma boa e sutil piada. - Querido, sabemos que isso não existe, claro, a gente se dá muito bem, mas isso não significa que ouvimos sinetas dos anjos cada vez que nos vemos, a gente sabe que é sexual, gosto de voce, além disso é claro, voce é interessante e tem boas idéias, boa cabeça, voce ja disse o mesmo de mim, mas o que nos trouxe até esse quarto, senão o desejo puro e simples? Querido, o mundo se move por sexo, até se mata por isso! Claro, que nem todos admitem, 90% da população, creio, e se voce só contar a população feminina, então esse nimero sobe para uns 99%, eu fico com os um por cento... Nova risada - Claro, ja sofri e muito com isso, era chamada de devassa, depravada, e meus amigos, de poderosos. Enfim, não sejamos falsos conosco, afinal é só isso o que se quer aqui, não há confusões, e a amizade anda bem assim, voce tem a sua vida, eu tenho a minha,... - parou de falar, o cigarro informava que ja era hora de ascender outro, foi o que fez, andando pelo quarto, com o molejo de uma pantera negra, em plena caça, foi pra comoda, recostou-se lá, ascendeu, tranquilamente outro cigarro, oferecu-o ao amigo, que mudo, disse não.
Somos felizes assim, somos solteiros, livres, e claro, quando voce se ligar a  alguem, essa parte da nossa amizade acaba, e eu sei que se eu me ligar a alguem, voce faria o mesmo, mas agora, pra quê mudar o que está bom! Querido, voce confundiu as emoções, e isso é bem comum, por isso as pessoas se enganan tanto, achando que sofrem por amor, mas a gente sabe, que não é isso, é um conjunto de fatores, nos damos bem, na transa somos ótimos juntos, temos assunto pra conversar, até os mesmos interesses... mas isso não significa amor, isso significa só isso mesmo, uma boa amizade, e se vc é homem e gosta de mulher, e eu sou mulher e gosto de homem, e eu te atraio, e voce me atrai, qual o problema de também temos o sexo para pontuar a nossa relação? Eu não vejo nenhum problema. Ai, ai... mas que voce hoje me cansou cansou, vou tomar um banho demorado, naquela banheira maravilhosa, voce vem? - Ela acabou assim o assunto que o outro havia começado.
Estava ele, perdido em seus pensamentos, será que ela tinha razão, será que ele estava realmente só pelo interesse físico, será que havia mesmo toda uma miscelânia de coisas que davam certo entre os dois, que ele se enganou? Será possivel, que não sabia mais o que sentia
Olhou pra ela, disse que ia depois, já que seria demorado, ele ia deitar mais um pouco, ela também o havia cansado.
Ficou ali, a olhar para o teto, fixou no lustre, modernamente simples, mas que passava todo um ar requintado, o achava bonito, ficou ali olhando.
Ele a conhecia há já uns bons anos, sabia bem como ela pensava, como ela agia, e como as vezes sofria pela sua maneira de ser. As mulheres, não gostavam dela, por achar que ela era fácil, e daí roubar-lhe o marido ou namorado, ou ainda, pretendido, que ele sabia, nunca acontecia, código de honra dela que levava consigo, por puro gosto. Os homens também a achavam fácil, mas de modo mais divertido, todos queriam ficar com ela, pelo menos por uma  noite, só conseguia convencê-la quem ela queria que a convencesse, ou seja, quem ela estivesse interessada, ela parecia fácil, conversava com todos, brincava com todos, mas de modo nada pudico, nunca conheceu mulher mais difíficl, não era dada a joguinhos de amor, quando gostava, gostava e pronto, ia até o fim, e se machucava bem mais do que merecia, o que de certa forma a tornou masi cuidadosa, sempre observava primeiro, pra depois agir, e abrir seu corçaõ, parecia uma ostra, tão difícil de abrir que era, mas nãoa era amargurada, entendia que as coisas aconteciam como tinham que acontecer, e se ano acontecia, era por que nao era pra acontecer, independente de sua vontade, as vezes, o que nao dava certo, é por que não era pra dar certo, por mais que tentasse, com esse pensamento, deixava seu espírito leve, aberto ao que pudesse vir, porém teria que passar por seu crivo, dificil de se traduzir.
Ele viu tudo isso de perto e soube admirá-la, pela beleza, claro, era realmente bonita, de uma beleza natural, humana. Mas descobriu a beleza por dentro da loba, como os amigos dele a chamavam, lembrou de um dia, ter ficado zangado com isso, mas quando passou pra ela o apelido, ela deu gargalhadas fortes, disse ter adorado, e disse que isso era pra quem podia, não podia ser pra ela, modesta, sempre achava que estava aqúem de qualquer beleza feminina, fosse quem fosse.
Poderia então ele, estar só encantado, desse encantamento que se tem quando se vê uma pessoa forte, com aparencia de fraca, desses encantos quando se uma beleza tão singela que chega a doer, encantamento desses de quem ver uma flor se abrir, era só encantamento.
Justo ele estar com tais pensamentos era de admirar, justo ele que nunca ligou pra isso.
Ele também era bonito, de uma beleza masculina, com força no olhar, com vontade nas ações, sabia bem o que queria, sua fisionomia sempre denunciava isso, o que o tornava extremamente bonito.
Ficava com suas amigas, como sempre a chamava, afinal, voce vai ficar com quem, com a inimigas, brincava, mas nunca em momento algum, deixava alguém pensar que ele sentia o que não sentia, jogava as claras, se alguém se enganava era por que queria, e mesmo assim, teve inúmeros probelmas de mulheres a sua volta, esbravejando paixão e amor, promessas, que ele nunca fez! Achava engraçado, ignorava, e partia, sempre deixando alguém partido por dentro, mesmo sem ser proposital, tinha feito muita gente sofrer.
As mulheres o adoravam sempre, o olhavam e pensavam: este sabe como tratar uma mulher, os homens, os mais espertos, se aproveitavam de sua amizade, pra ganhar passe livre com elas, os que não tinham esse brio, o odiavam.
Será que o dono dessa estirpe, havia se engando, estava enamorado pela image que fez dela? Não parecia, avaliava muito antes de faalr qualquer coisa, principalmente com relaçao a sentimentos desse grau, não, concluiu que nao podeira estar enganado!
Ouviu o som de água, seguido de sua voz, levemtne rouca, por natureza, o chamando, ela não queria de modo algum magoar o amigo, mas também não poderia enganá-lo, ela não sabia como resolver a situação, mas decidiu, que não seria ali, não naquele quarto, nem com aquela banheira, decidiu o chamar, esquecer tudo, e aproveitar um pouco mais, aqueles momentos, com cheiro de sol, como aquele verão!
Ele quase foi, parou no meio do corredor, disse que tinha que sair, voltou, se arrumou, olhou pra ela e mandou um beijo, leve como aquela tarde.
Ela olhou para aquele corredor vazio, e ficou pensando, entendeu, ali, que tinha magoado o amigo, que o tinha ferido, e entendeu, que amizades assim, não existem,  são apenas um jeito de fugir de uma realidade simples e fácil de se entender.
Tinha medo, muito medo de se prender a alguém, mas não desses medos de simplesmente não dar certo num futuro qualquer, proximo ou não, não tinha medos práticos, tinha era medo do sentimento em si, como agir, como falar, e se resolvesse amar alguém, e se alguém não a amasse também? Mas ela sabia, que isso não se decide, nem se escolhe, acontece a revelia, como se não fossemos os personagens da nossa própria história, acontece, como um papel que nos é dado, e como atores, temos simplesmente que representar.
Era isso que não queria, era exatamente essa falta de ordem das coisas que a deixava insegura, e brincava com todos, mas com quem mais brincava era com seus próprios sentimentos, já havia sofrido demais, chorado demais, não queria, simplesmente, cair nessa brincadeira de mal gosto (como chamava o amor) e contra isso lutava veementemente, e sabia, lá no fundo que tinha perdido, por conta disso, grandes oportunidades, havia agora que analisar com cuidado, o que tinha dito, e como contornar a situação, se era possível contornar, queria o amigo de volta, mas como querer um amigo, que não quer ser mais amigo?


Ele entrou no banheiro, ja estava vestido, ela dentro da banheira, ele a beijou com uma estranha demora, ela entendeu que ali havia algo de errado, deixou o amigo ir, porque sabia onde encontrá-lo depois, só por isso... gostava de resolver as coisas no ato, mas sabia que tem horas que simplesmente não dá.

Ela ficou ali pensando com a água quente envolvendo seu corpo, assim como era sua paixão por amores que não são fixos, não entendia porque todos e todas, principalmente todas, não a aceitavam como ela era, mas como dizia, quem pagava suas contas ela era, quando estava em dificuldades e conseguia se resolver após nadar muito, também ela era, era sozinha, sem família, não se sentia triste, porque tinha muito bons amigos, que eram como irmãos, só irmãos, e alguns que eram um pouco mais que isso, ela era por ela e só.

E agora ela tinha um problema, perde um amigo e ganha um relacionamento sério, ou perde um amigo e perde um relacionamento e ganha a certeza de que nada pode dar errado.

- Já deu!

Dizia ele ao telefone para o único amigo que sabia de seus sentimentos.

- Já deu tudo errado, falei o que não devia, ela nem ligou, mas ela é assim, eu sei disso, ficou lá na banheira, eu me despedi, nem me chamou, nem tentou falar comigo... mas quando vier, acredito que vai falar, vai acabar tudo amizade, amor, tudo, como fui estúpido.

Deixou passar um tempo, um tempo longo, muito longo para resolver, porque ela com esta brincadeira havia se perdido também, quem brinca com fogo uma hora se queima, porque o fogo é selavagem e vai pra onde ele quer.

Ela queria sim, algo com alguem que confiasse plenamente,mas sabia a continuação desse filme, não tinha como dar certo porque era ciumenta, chata, queria a pessoa para si, e ninguém é de ninguém, assim, livre estava tão mais feliz, nao magoava nem se magoava, mas havia ultrapassado sem ver alguma linha perdida entre os dois.

Ia falar com ele, mas não sabia nem o que, nem como, e detestava isso, a incerteza, porque se diz que sim, tudo é lindo, nos primeiros meses, e quando acabasse, um dia sempre acaba, não podeia voltar aquela amizade que prezava tanto, bem antes de atração, adorava a pessoa que ele era, não sabia o que fazer.

Estava lá, vendo tv, numa tarde fria de domingo, muito fria, muito cinza, pensou nela, era fato, agora algum estaria na casa de alguém esquentando o outro, provavelmente ele na casa dela, ela odiava o frio, e não saía com um tempo desses nem por decreto, riu-se das coisas que falava quando alguem dizia que gostava do frio, ria-se quando lembrava-se dela, era um riso acompanhando de uma tristeza amarga, porque ele podia muito bem voltar atrás, mas simplesmente não conseguia, ele sentia que era mesmo um sentimento que o havia tomado e que ele não se formou do nada, foi crescendo sem sequer ele tomar conhecimanto de sua existência.
Estava lá em seus devaneios, e escutou longe uma campanhia, quando voltou de seus pensamentos, escutou  novamente,  porém forte gritando com ele.

- Nossa!
- Meu Deus que frio.... nossa (disse entrando assim, como se nada tivesse acontecido)
- Entra tem sopa quentinha, quer?
- Você percebe uma coisa? (disse com uma ponta de revelação)
- Quê? Que você veio só pela sopa? (entendo todo o conteúdo)
- Engraçadinho. (enaunto tirava o sobretudo e o cachecol, olhou-o e concordou com o que ele pensou).

Se olharam, sabiam que já tinham um relacionamento, só não o tinham definido como tal, e só por isso não pesava, descobriram isso, naquele momento.

A sopa quente, dava novamente a ligação quente e gostosa que os dois tinham, e eles iriam seguir sem definir papéis ou nomes, porque haviam entendido que ás vezes isso só atrapalha.

E a tarde fria findava, tentando se esquentar debaixo das cobertas.




Fim










quinta-feira, 4 de março de 2010

Na sorveteria

Ele estava febril, não de febre de doença, era raiva, muita raiva, seu sangue fervia, e se via isso em seus olhos, seu rosto... e a veia de seu pescoço saltada, de tanto que griatava, com ela.

A pobre mulher só fazia chorar, não havia argumento, nada que o fizesse parar, respirou fundo, e conseguiu se acalmar.

Por um momento ela o olhou calada, lembrou daquele parque de diversões onde num domingo ensolarado prometeram serem felizes para sempre, e os gêmeos que tiveram, só firmaram esta espectativa, os gêmeos agora, com doze anos, estavam na escola, fazendo das suas, deixando a sua professora louca, como de costume, ignorantes do inferno de dante, que descia em sua casa.

Ela o olhou firme, calada, mas nunca falou tanto com o olhar. Ele a olhou firme, calado e nunca falou tanto com o olhar.

Houve outro acesso, houve o brilho de uma lâmina vasta e bem afiada, sempre a usavam no churrasco de domingo.

O primo estava lá, esperando eles, queria fazer surpresa pros gêmeos da prima que ele gostava tanto.

Os pequenos felizes, saíram da escola e foram ingênuos com o primo, que chamavam de tio, tomar sorvete antes de seguirem pra casa, nunca faziam isso quando era a mãe que ia buscar, queriam aproveitar.

Batidas de uma polícia na porta, e vizinhos, os mesmos que chamaram ajuda, escutavam, temerosos.

Invasão.

O lugar era colorido, como qualquer sorveteria, passava a programção local, um programa de desenhos animados, risonhos e felizes, como convém a qualquer desenho, que se diz animado.

O primo, a quem chamavam de tio, aproveitava para contar a última novidade, iria se casar com a melhor amiga da mãe deles, ia se mudar pra lá, tinha até comprado casa e tudo o mais, estava feliz e a culpa era dela, sua prima o ajudou desde o início daquele namoro.

Ela e o primo, sempre se deram bem demais, como convém a qualquer boa amizade.

Surgiu no meio daquela tarde ensolarada, uma música, ruidosa, feita para chamar atenção, de quem ainda não havia se apercebido do aparelho, ela agora dava em notícia extraordinária, que vizinhos chamaram a polícia, e apareceu na televisão, diante dos pequenos, do primo, a quem chamavam de tio, e de todos que ali estavam, ela, agora chamada de corpo, e ele, agora chamado de réu confesso, dizendo que a culpa era de um primo que tinha vindo do interior, só por causa dela, e que ele tinha comprado até casa, que estavam planejando fugir juntos, e ele, não poderia permitir, afinal ela tinha prometido a felicidade, sempre.

Havia sangue, muito sangue.

Silêncio...

Haviam gêmeos, já nem tão ingênuos, que não gostavam mais de sorvete, que não entendiam mais nada, só sentiam um gosto amargo e frio.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Mais uma de Sexo

Houve então, depois de densos olhares, as mãos se flertando, as bocas se desejando, e foi impossível para ambos evitar qualquer contato físico maior, impossivel, os perfumes dos corpos ja tinham feito seu trabalho, e a excitção dos dois era visível a um cego!
Então, naquela primeira noite que se viram, também foi a primeira noite que passaram juntos a noite, a manhã e um pedacinho da tarde.
Dias seguintes, se seguiram...
Não houve ligações, nem dele, menos ainda dela.
Depois dos dias seguintes...
Telefone, mudo.
Nada.
Ela então o esqueceu.
Até que então, numa noitada dessas, de festa e prazer o encontrou por acaso, na boca de uma morena, capaz de parar qualquer trânsito.
Nada sentiu, a não ser uma profunda coinscidência, afinal o lugar não era assim tão conhecido. Quando ele a viu, sorriu, ficou sem mãos, sem fala, sem rosto, sem jeito, e disse quase sem dizer, um tímido boa noite.
Os dentes dela o viram então, e mastigarm seu boa noite, e falaram então, tão faceira quanto uma menina.
"Foi muito boa aquela noite, né... que aliás foi até um pedaçinho da tarde... quando quiser de novo, a gente combina, tá! Bjs".
E saiu, deixando que suas costas a mostra do vestido, lhe dissesem adeus!
Ele a olhou embasbacado e percebeu o tamanho do erro, assim como quem vê uma luz no céu, viu o erro tão claro, como uma tocha olímpica lhe ardendo no cérebro.
Sabia porque ele não tinha ligado, mas descobriu agora porque ela não o tinha feito.
E concluiu que ela nunca iria ligar, não porque é o que se reza em qualquer etiqueta feminina arcaica, mas porque ela não tinha valor algum por essas coisas mundanas que ele tanto se importava.
Acreditou que ela, por ter saído logo assim de cara, sem preparo, sem semanas ou meses depois de se conhecerem, como convém a qualquer uma, que não queria ser "qualquer uma, o fez julgar que ela era assim como dizem por aí, qualquer uma (mas todo mundo o é). por esse motivo, não havia discados aqueles números agora tão queridos.
Mas, ali, diante daquelas costas nuas, recortada pelo vestido, que se foram, sem dizer adeus,  via agora que essa atitude dela, de não estar nem aí com a pipoca, se estoura ou deixa de estourar, ou se salga ou deixa de salgar, era porque ela creditava a nobreza nela interia, não apenas numa parte dela, e justos nas suas partes mais baixas.
E se viu, como ela... e percebeu que em menos de uma semana, ele havia saído, logo assim de cara, sem preparo, sem semanas ou meses depois de se conhecerem, como convém a qualquer um, (mas todo mundo o é), inclusive se orgulhava, cometando cada novo feito. 

Percebeu naquele micro instante, que ela não ligaria para sua vida sexual pregressa, porque era só sexo, descobriu então, naquela luz intermitente da balada, que fez dois pesos, e ganhou duas medidas.
Saiu de onde estava, foi falar com a morena, mas perdeu sua libido em algum lugar do salão.
Foi embora.
Em casa, quanta pretensão, achar que ele era o senhor da situação, ter a ousadia de achar que tem o poder de dscartar alguém, como se faz com os copinhos de plásticos.
Descobriu, em seu doce lar, já nem tão doce, que ele sequer a conhecia, como então, poderia pensar em tirar conclusões acerca de seu valor, por conta de uma única noite... que foi até um pedacinho da tarde... tinha sido bom, e isso era a única conclusão descente que poderia tirar.
Não, meu irmão, disse a si mesmo complascente: -Foi ela que me dispensou, com aquele meigo sorriso, jogando um beijo no ar, e falando pra ligar, sabendo que não haveriam números a serem discados, foi ela, seu tolo, que descobriu que, se você mede a diginidade de alguém, por entre as pernas, concluiu que voce está muito atrás no seu tempo, muito aquém, da digna senhora.
E percebeu, olhando para seu próprio corpo, que ele era tão fácil como um nota de um real, e sempre achou isso natural, devido sua natureza (era macho) viu então, que ela mantinha a mesma condição natural (era fêmea), logo tinham os mesmos direitos.
Depois de dias pensando, resolveu sair, e se esqueceu de ser arcaico, reviu assim, em suas novas retinas, mulheres com um pouco mais de profundidade, que não se ofereciam porque tinham medo de noites mal dormidas, ou por ter planos futuros a custa de parcos momentos, eram essas muito concisas de si, que sabiam quando queriam dois corpos em um cálido momento de inquietude, ou quando queriam somente sexo. 

fim